Motivado por dois importantes comentários aqui deixados sobre a assistência dos jogos do nosso Pedras, oferece-me dizer o seguinte:
Realmente, é decepcionante ver o número de adeptos que, em média, vai ver os jogos do F. C. de Pedras Rubras. É decepcionante para os jogadores, para a direcção, que tanto se esforça, e para os adeptos que comparecem, muitas vezes colocando outras prioridades em segundo plano. Embora não se trate de um problema que afecta apenas o nosso clube, mas sim todo o futebol português (com raras excepções), devemos analisá-lo à luz das nossas cores.
E volto a expressar uma opinião que, por mais de uma vez, já tive ocasião de deixar na outra plataforma. Houve tempos, não muito distantes, que o Pedras Rubras arrastava grande número de adeptos aos seus jogos. No velhinho Maria da Fonte, apesar da sua pequena lotação, as pessoas apareciam com mais frequência.
A tendência de diminuição explica-se por três factores principais:
1) a crescente definição das freguesias de Moreira e V. N. da Telha como dormitórios de pessoas que nenhuma afinidade tem com a terra e, muito menos, com o clube. Por outras palavras, e perante o envelhecimento das pessoas da terra, há menos adeptos.
2) A localização do estádio e as fracas condições que este apresenta. Afastado do centro de Pedras Rubras e numa área erma, os jogos passam despercebidos à maior parte das pessoas. Por outro lado, e mais importante, as condições do estádio são deprimentes. Embora pessoalmente não me queixe muito, o frio, o vento e a chuva que se apanha no estádio nos dias de Inverno tornam um verdadeiro sacrifício assistir a alguns jogos. E se uma pessoa se lembrar das pessoas de mais idade e com mais debilidades, uma pessoa tem de compreender que não possam aparecer aos jogos. Aqueles que comparecem sabem que, em determinadas ocasiões, parece que a bancada tem fontes de água. Só com dirigentes políticos como os nossos é que se gasta o dinheiro que se deve ter gasto na cobertura da bancada e deixam-se aspectos primários por acabar.
3) o aumento e diversificação de opções para passar os Domingos. O futebol aparece agora como apenas mais uma das possíveis opções para passar os Domingos.
4) a crise económica conjugada com o determinismo dos três grandes. São poucos os sócios do Pedras que colocam o clube da terra à frente, seja do Porto, Benfica ou Sporting. Embora não afaste directamente as pessoas de assitirem aos jogos, às vezes também dificulta a comparência.
Naturalmente, há que procurar combater e contrariar estes problemas. Como? Não há soluções miraculosas, mas pequenos gestos que, a longo prazo, podem dar resultados. Há, em primeiro lugar, que apostar nos jovens. Embora sejam lugares comuns, a verdade é que são eles o futuro do clube e é de pequeno que se faz um adepto. Por outro lado, os jovens arrastam sempre alguns familiares. Há que distribuir bilhetes pelas escolas das freguesias e, porque não, obrigar os escalões jovens a comparecer nos jogos dos seniores como elemento de aprendizagem. Não se trata de ditadura nenhuma, mas uma forma de criar escola. Nem que fosse um jogo por mês. Acho errado pessoas irem assistir aos jogos dos seus miúdos e não dedicar nenhuma atenção aos seniores, o principal objectivo do clube.
Apostar na divulgação dos jogos, através de panfletos, por locais propícios como cafés e nas ruas mais movimentadas das freguesias. De forma consistente e não pontual.
Criar actividades e passatempos semelhantes ao sorteio da bola.
Cada sócio deve tentar arranjar outros sócios e adeptos para assistirem aos jogos.
Criar um espírito de clube exemplo que cative as pessoas que por aqui passam, seja pela honestidade e elevação nas relações pessoais como pelo nível de exigência que se deve pedir a todos.
Incentivar e dar condições para o ressurgimento de uma claque que dê outra animação aos jogos, pelo menos em casa.
É claro que tudo isto só é possível se houver gente disponível para trabalhar e que o esforço não recaía sempre nos mesmos homens que muito tem feito e fazem pelo clube.
Abraço.